Crise financeira: como lidar com a demissão por “corte de custos”

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Desde o final do ano passado, o cenário para o mercado de trabalho no Brasil já vinha sendo alvo de muitos alertas de analistas econômicos. Para esse 2015, muitos deles esperam uma recessão econômica e afirmam que alguns ajustes fiscais (com aumento de impostos) feitos pelo governo vão resultar em demissões. Viver esse ambiente de incertezas é um terror para os empregados, mas o que fazer quando já se foi atingido por um “corte de custos”? Como usar a força mental ao seu favor para buscar uma recolocação no mercado? Onde buscar motivação?

A psicoterapeuta Maura de Albanesi analisa que as demissões por conta de crise financeira (corte de custos ou falência da empresa) são um caso peculiar. “Costumo dizer que, no geral, as pessoas não são demitidas: elas se demitem mesmo quando são mandadas embora. É normal ouvir de pacientes frases como: ‘eu não queria mais estar lá, ‘já não estava gostando muito desse trabalho’. Mas em crise financeira não é assim”, pontua.

Nesses casos, segundo a terapeuta, o ideal é aceitar e seguir em frente. “Não é culpa dela. Essa pessoa, que não deve gerar culpa, tem que procurar um novo caminho. E com muito mais autoestima do que se tivesse sido demitida”, afirma Maura.

A terapeuta explica que mesmo sendo frustrante perder o emprego nessas situações, é necessário não internalizar a crise. “O mundo pode estar caindo, mas enquanto ela sentir que tem algo a oferecer, que é capaz de fazer, deve se motivar e buscar novas oportunidades”, enfatiza. E acrescenta: “acredito que profissional bom não fica desempregado. E, mesmo em crise, algumas pessoas saem até com uma recomendação”.

Buscar novas oportunidades
Sem queimar etapas, a frustração deve, aos poucos, ser substituída por uma autoavaliação. “É necessário reconhecer pontos positivos e negativos. Para aqueles que ‘se demitiram’ sem influência de crise, até que ponto essa pessoa já não estava desestimulada? Essa autoavaliação é indispensável para não procurar um emprego com ambiente semelhante ao do anterior”, explica.

Depois disso, é hora de recompor a confiança. “Só assim é possível buscar novas oportunidades demonstrando ser alguém que saiba o que quer; e que tenha garra de vencedora. É necessário ficar claro que, ao buscar uma vaga, você não está implorando por um salário: está colocando à disposição do outro o seu serviço”, recomenda. “E é importante ir para a entrevista sabendo muito daquela empresa e apontando o que você pode oferecer.”

Negociação para ganhar menos
Em muitos casos, em um cenário econômico nada favorável para o mercado de trabalho, é comum a negociação com o objetivo de manter o emprego, mas ganhando um salário menor. “Isso é péssimo, acaba com a autoestima da pessoa. Mas é uma situação que pode ser contornada se a empresa der motivação, explicar que é uma fase momentânea e que isso vai durar alguns meses. Se não tiver isso, ela vai fazer o mesmo serviço de maneira desmotivada”, finaliza.

Fonte: Maura de Albanesi é mestre em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos.

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