Ciúme excessivo é insegurança e necessidade de controle, explica psicóloga

Ciúme excessivo insegurança e necessidade de controle

Ciúme todo mundo sente, uma hora ou outra da vida. “Mas o que define o ciumento é a insegurança que ele tem consigo mesmo; para tentar aplacar esse sentimento, ele vai controlar o outro para tentar minimizar essa falta de segurança”, explica Maura de Albanesi, psicóloga e líder coach. “Todo ciumento é um tremendo controlador. Ele sente o outro é sua posse, como se a outra pessoa fosse uma marionete”, acrescenta.

Dessa forma, o ciumento está sempre querendo invadir o livre arbítrio do outro. “A pessoa ciumenta deixa o outro ficar livre para fazer o que bem entender? Não, o outro tem que fazer tudo segundo suas regras se quiser ficar com ela. É uma chantagem, um controle e uma dominação”, conta. “E isso machuca os dois no relacionamento, porque o ciumento não suporta que o outro seja livre para fazer o que bem entende”, explica.

Até que ponto esse ciúme pode ser normal? — “Quando a gente diz que é aquele cuidado e zelo numa relação, não é aquela coisa exagerada, é uma pitadinha de ciúme… É quando a gente diz que quem gosta sente um pouco de ciúme, cuida, toma cuidado, zela por aquilo. Então, não é cercar a pessoa de cobranças e fiscalizações, mas dar atenção e afeto, que aí sim a pessoa vai ver que ela é importante”.

Quando se torna problema? — “O ciúme se torna um problema quando ele deixa o outro rendido a essa nossa insegurança. Normalmente, o ciumento atribui a culpa da sua insegurança ao outro, dizendo assim: ‘eu sou ciumento, porque você me provocou, porque você não me disse onde estava’. O ciumento projeta toda essa insegurança no outro e faz com que essa relação seja minada numa desconfiança. Querendo ou não, o ciumento está sempre desconfiando, está suscitando a culpa no outro, então aí é que se torna um grande problema, porque vira uma relação de cobranças, inseguranças, culpas e desconfianças”.

Como controlar? — “Não existe uma técnica para ajudar a pessoa a controlar esse sentimento. O que existe, na verdade, é a conscientização do ciumento que esse é um problema dele e não do outro e quanto mais essa pessoa não joga para o outro essa responsabilidade, ela então busca a raiz dessa insegurança tão grande e consegue tratar essa insegurança. Porque dessa forma ela vai se tornar uma pessoa mais forte, mais firme e não vai precisar tanto que o outro supra esse buraco que ela sente dentro dela. Parar de cobrar, de ligar, então o ciumento precisa frear essa ‘língua’, esse impulso e ir ficando com ele mesmo. Quanto mais isso fica com ele, isso vai causar um incomodo que vai possibilitar um olhar para a raiz; se ele ficar o tempo inteiro jogando para fora, nunca vai saber exatamente o ponto da alma dele que gera essa insegurança”.

Conversar — “É importante, sim, as pessoas conversarem sobre isso: ‘você é livre para fazer o que você quiser e eu também sou livre para fazer o que eu quiser sobre o que você fizer’. Dessa forma, a relação se torna muito mais livre, mais solta, onde cada um cuida do seu próprio nariz e os dois encostam os narizinhos um no outro quando quiserem trocar alguma coisa de bom e não de desconfiança”.

Impacto na relação — “Gera relações de desconfiança, de medo. Então por mais que a pessoa tente controlar o outro com esse ciúme e ter a pessoa mais próxima, ela acaba afastando a pessoa dela. A gente aguenta o ciumento por um tempo. Depois a gente não aguenta mais. Porque passa a sufocar a pessoa. Ciumento demais passa a não deixar a pessoa livre, então, quando nos rouba a liberdade, a relação fica extremamente pesada porque a gente perde a própria individualidade”.

Fonte: Maura de Albanesi é mestre em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos.

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